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Sessenta
e quatro a cada cem computadores no país usam programas piratas, o que
resultou, somente em Minas Gerais, em um prejuízo de R$ 150 milhões em
arrecadação de impostos, no ano passado. Diante desses números,
a Associação Brasileira das Empresas de Softwares (Abes) está
percorrendo o país, treinando policiais e outros agentes públicos para
combater a pirataria de programas de computador. Em Belo
Horizonte, a Abes promoveu ontem, no hotel Mercure, o treinamento de 20
integrantes das polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal. Eles
foram orientados sobre as leis que fundamentam as operações realizadas
para apreender softwares piratas. Também aprenderam técnicas para
diferenciar o produto pirateado do original. Belo Horizonte foi
a sétima cidade onde a Abes promoveu o treinamento. Segundo o
coordenador do Grupo de Trabalho Antipirataria, Emilio Munaro, o
programa começou a ser executado em Recife, no dia 9 de outubro. Em
seguida, a associação passou por Curitiba, Porto Alegre, Ribeirão
Preto, Campinas e Salvador. ?O treinamento funciona como uma
troca de experiências. São abordadas as leis dos direitos autorais (nº
9.610) e a que dispõe sobre a comercialização dos softwares (nº 9.609),
que sustentam o trabalho policial. Também mostramos a diferença entre
os equipamentos, inclusive as caixas e embalagens, para facilitar a
identificação?, explicou Munaro. O treinamento dura apenas um
dia e faz parte de uma série de ações promovidas para combater a
pirataria dos programas de computador. De acordo com o presidente da
Abes, Jorge Sukarie Neto, as ações foram fortalecidas com a criação da
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria, pelo Congresso
Nacional. ?Com a conclusão da CPI, no final de 2004, foi criado o
Conselho Nacional de Combate à Pirataria, vinculado ao Ministério da
Justiça. É um grupo de trabalho voltado para a proteção dos direitos
autorais e o setor de softwares foi agraciado ao ser convidado a
participar. É importante ressaltar que a pirataria não prejudica apenas
a indústria de softwares, mas toda a sociedade?, observou Neto. Prejuízos As
pessoas que adquirem programas de computador piratas, que são mais
baratos que os originais, correm o risco de terem uma série de
prejuízos, segundo Munaro. ?O consumidor acha que está levando
vantagem, mas, na verdade, está abrindo mão de todas as garantias
oferecidas pelo software original.Ele não tem direito à atualização dos
programas e fica mais vulnerável ao risco de o computador ser
danificado por vírus da Internet?, disse. Um dos problemas mais
graves, ressaltou Munaro, é a possibilidade de hackers invadirem o
computador que contém um software pirata instalado, passando a ter
acesso a senhas bancárias e de cartões de crédito. ?A Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban) discute a possibilidade de as agências
não arcarem com as despesas de clientes lesados, se esses clientes
utilizam softwares piratas nos seus computadores?, afirmou o
coordenador do programa antipirataria. Além de abordar o
trabalho repressivo, a Abes também trabalha com outras duas vertentes
para combater a pirataria. A associação desenvolve campanhas educativas
e incentiva a redução dos valores cobrados pelos softwares.
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